
Iram de Almeida Saraiva, nascido em 27 de agosto de 1944, na idade de Goiânia, Goiás. Filho de José de Almeida Saraiva e Lucinda Augusto Saraiva e Maria Aparecida Silveira Saraiva. Iram é Bacharel em História pela Faculdade de Filosofia da Universidade de Goiás (1970), Bacharel em Direito pela Universidade Federal de Goiás (1972) entre 1973-1975 foi vereador, deputado estadual (1975-1979), deputado federal (1979 a 1983 e 1983 a 1987), senador da república (1987 a 1994), atuou na Assembléia Nacional Constituinte de 1987, é advogado/professore jornalista.
Em sua trajetória de vida Iram Saraiva foi ministro do Tribunal de Contas da União (1994 – 2003), vice-Presidente do Tribunal de Contas da União (1997-1998), ministro-Corregedor do Tribunal de Contas da União (1997-1998), Ministro- Presidente da 1ª Câmara do Tribunal de Contas da União (1997-1998), ministro-Presidente do Tribunal de Contas da União (1999-2000).
PING PONG - Direitos da criança, do adolescente, da mulher, do consumidor e do idoso, são em suas grandes verdades, direitos a serem respeitados. Mas nos últimos tempos Goiás tem sido alvo de grandes escândalos e maustratos a essas pessoas. O que acontece?
Iram Saraiva - Na verdade, nós não precisamos criar mais leis. A própria constituição de 1988 já trata de todas essas questões. Então todos os direitos individuais e coletivos já estão postos no art. 5º e outros que preservam a integridade da família. A situação da mulher por exemplo. Ela não é mais humilhada. O homem não é mais o cabeça. Ambos têm direitos iguais. Só que isso não está sendo respeitado, não está sendo cumprido, conforme a constituição já define como principio. O elenco de legislação nós já temos, agora não basta só os governantes cobrarem, a sociedade também tem que fazer o seu papel, porque muitas das vezes deixamos de fazer nossa parte. Mas lembre-se: a educação deve começar na família.
PING PONG - Falta fiscalização?
Iram Saraiva - Sim. O código está cheio de leis, o que falta é aparelhamento policial e judiciário. Não só de aparelhos, mas de membros. Nós não estamos com todas as comarcas providas, não temos juizes o suficiente para atender essas demandas. Não temos na outra ponta o combate eficiente. O MP está aí operante, trabalhando magnificamente bem, mas ele ainda depende de muita estrutura, inclusive orçamentária. Então o problema não está só na vontade política mas também no interesse de que essas instituições se fortaleçam cada vez mais. Agora o descrédito vem porque a cada dia a mídia; escrita, falada, televisada só tem mostrado o fato e depois não mostram as conseqüências. Isso é preciso.
PING PONG - O senhor acredita que o jornalismo no Brasil é sensacionalista?
Iram Saraiva - O jornalismo emram Saraiva - Sessão do Tribunal de Contas da União em 2006 determinado momento é sensacionalista. Ele leva a notícia. E muitas das vezes de forma incorreta. Ele mostra com manchete. Ele jornalista, ele jornal não são culpados porque o fato aconteceu. Ele tem que mostrar. Agora a repetição dos fatos é que deixa a sociedade cética. Ela não acredita que tem justiça e que tem poder. É preciso que a imprensa mostre no dia dia-a-dia, esses fenômenos, comparar o que foi noticia, que foi importante. Isso ocupa mais o tempo real. Do contrário, tem aí esse big brother da vida.
PING PONG - O senhor é contra ou a favor da maioridade penal no Brasil?
Iram Saraiva - Sou totalmente contra a alteração de maioridade penal. Porque se eu conseguir por meio de idade penalizar, nós vamos chegar ao ponto de voltar para o útero da mãe. O problema mais uma vez está voltado para a educação familiar, que é mais lento, demorado. O Estado nem dá conta de consertar. A lei existe, está ai. O que não tem é punição. Quem faz o bandido é a pobreza. A criança tem que brincar, estudar, ter um tratamento e não ser abandonada na rua. Na constituição está escrito que ela tem que ter casa, escola, saúde... e quando este não tem nada disso, quando cresce, se volta contra o Estado numa violência enorme. Ele torna mais caro e aniquila a sociedade. Ele não torna bandido porque quer.
PING PONG - O senhor prima por menos leis e mais obediência. Isso é possível, haja vista que falta uma enorme estrutura jurídica aqui no Brasil?
Iram Saraiva - São 45 mil leis. Isso causa conflito demais. Uma lei te dá direito outra vem e tira. Abarrota o judiciário e este fica lento. Ele lento te desagrada. Será que precisamos de mais leis? Não. Precisamos fazer uma limpeza pra acabar com a conivência. PING PONG - O senhor tem grande admiração pela a administração do senhor Íris Rezende Machado. Por que?Iram Saraiva - Porque ele é bom mesmo. Eu ando muito em salas de aulas e bairros e considero essa a melhor administração de sua carreira. Ele está amadurecido. E não Ele cumpre o artigo 37, na sua essência, ele consegue fazer obras com economia, com o pouco que tem em caixa. Ele não é criticado, e isso nos faz acreditar que ainda é possível encontrar bons administradores nessa era atual. Essa é a melhor administração!
PING PONG - Iris Rezende tem demonstrado amadurecimento ao longo de sua carreira política. Foi a idade ou foram as derrotas que o transformou nesse político de mais crédito junto ao povo goiano?
Iram Saraiva - Iris sempre foi excelente administrador. Foi cassado em 1969. Na época, a ditadura não tolerava quem gostava e amava o povo. E ele foi punido severa e brutalmente. Ficou 10 anos fora da vida política. Em 1982, ele voltou e fez uma administração de primeiro mundo. Citada na Europa, EUA... As outras vezes que governou foi do mesmo jeito. Hoje ele volta com um componente diferente que ele tinha antes, ‘experiência’. Vários exemplos que ele teve como administrador no passado, hoje soma naquilo com ideal, com sonho que ele tem. O Íris é um menino que sonha a vida inteira. A população tem que entender isso. Ele sonhacom essa cidade, sendo a melhor cidade do mundo! (...) Ele trouxe uma nova roupagem para Goiânia. Trouxe qualidade de vida.
PING PONG - O senhor falou em equilíbrio é possível Maguito ser eleito em Aparecida e fazer um bom governo municipal?
Iram Saraiva - Sim. Primeiro que Aparecida vai estar recebendo um ex-governador, um ex-senador. Isso é para o município um forte avanço. Pegar um homem forte e experiente. Nós não estamos na era de procurar quem vai fazer milagres. Não existe. O PMBD é conhecido em Goiás pelas suas boas administrações.
PING PONG - O senhor continua pemedebista?
Iram Saraiva - Sim. Inclusive depois do meu impedimento como ministro, onde fiquei nove anos afastado, eu me filiei ao PMDB. Na época quem me apoiou, foi o próprio Iris Rezende.PING PONG - O senhor vai disputar as eleições a vereador esse ano em Goiânia?Iram Saraiva - Se o PMDB me convidar para qualquer disputa, há! Claro que eu vou levar em consideração. Até porque como eles (Íris Rezende e Maguito Vilela), eu também tive uma trajetória política em Goiânia. Fui vereador, deputado estadual, federal e ministro. E sempre o Estado e a cidade me deram esses mandatos bem votados. Então, se Goiânia me cobrar que eu devo continuar dando aulas, eu vou ficar dando aulas. Se Goiânia me cobrar que eu deva ir para uma posição política e com mandato, eu vou estar a disposição. Por que? Porque eu não posso negar a Goiânia uma convocação. Sou filho de Goiânia. Acho que ela está bem administrada, mais se eu puder dar uma contribuição, não vou negar.
PING PONG - Sendo candidato e eleito, o que pretende fazer de imediato na Câmara Municipal de Goiânia?
Iram Saraiva - Não me preocupo com mandato. Eu estou muito preocupado é com o processo legislativo. Dos poderes nas unidades da federação, municipal, estadual e federal. Me preocupo muito com a constituinte de 88, que as leis estejam adaptadas a constituição. Isso é um trabalho que deve ser feito rápido e em qualquer esfera que eu estiver. E isso eu tenho sempre cobrado em artigos que escrevo e conferências que eu pronúncio.
PING PONG - O cenário político ainda pode ter esperança de dias melhores?
Iram Saraiva - Ah! Eu acredito! Eu sou um otimista (risos). Eu sou um otimista. O Brasil só têm 505 anos. Goiás, Goiânia é um lugar privilegiado. É por isso que precisamos de bons gestores para nos dar boa qualidade de vida e que sirva de exemplo para o mundo na questão da preservação do meio ambiente, do turismo, do transporte, da saúde...
PING PONG - Como o senhor avalia o governo estadual de Alcides Rodrigues e do governo federal Lula da Silva?
Iram Saraiva - Alcides e Lula, eu os conheço muito bem. São dois homens do bem, cada um com seu perfil e com o seu jeito de trabalhar. O Alcides, o que eu tenho visto, é que ele tem se demonstrado preocupado com a lei de responsabilidade fiscal, que hoje é uma faca sobre a cabeça do administrador. Ele tem demonstrado respeito a essas pessoa. O presidente Luís Inácio Lula da Silva, tem demonstrado que é aquele homem vocacionado pela política desde os tempos do ABC. Ele merece que todos nós o analisemos. Ele saiu de sua origem humilde, chegou a Presidência da República, e mostra que é possível que quem saiu das categorias inferiores seja capaz de governar sem uma escolaridade superior. Isso prova que o homem médio brasileiro, não é incapaz. Alcides e Lula têm seus defeitos, mas também têm suas virtudes.
PING PONG - Ano de eleição, qual é a sua mensagem para o povo goiano?
Iram Saraiva - Exerça sua soberania popular. Nós não temos ninguém acima de nós. O voto mostra que eu, você e todos somos donos do poder. Essa é a hora magna. O povo não deve ficar descrente poque uma legislatura ou um administrador foi mal. Não. Nós temos é que exercer a democracia. Está nas nossas mãos escolher e cobrar de quem elegemos. Votar é como ir à missaou ao culto; é uma hora sagrada.
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