
“Uma tarefa tão difícil que sou o único profissional, no País, a sobreviver em quatro governos sucessivos”.
Rosenwal Ferreira iniciou sua formação no Colégio Lyceu de Goiânia e terminou em Michigan, nos EUA, onde escreveu no Free Press. Trabalhou em São Paulo, ao lado de grandes jornalistas e há 13 anos instalou-se definitivamente na capital.
Rosenwal atua hoje em rádios, jornais, revistas, televisões e é proprietário da Agência RR Assessoria de Marketing e Comunicação Ltda. Rosenwal Ferreira comemora toda sua vitória ao lado de sua esposa Ketina Ferreira e grandes amigos que conquistou ao longo de uma vida, baseado na responsabilidade e ética profissional.
PING PONG - Em 2007, você recebeu o prêmio de jornalista mais influente de Goiás, como é lidar com diversos veículos de comunicação de forma ética, com a empresa e público?
Rosenwal Ferreira - É uma tarefa deliciosamente árdua. Na TV Cultura, no Programa Opinião em Debate, a natureza do veículo me obriga a manter uma posição de um âncoraque têm posições firmes, mas mantendo o equilíbrio. Tenho que policiar as frases, dividir com igualdade o tempo dos convidados e mostrar respeito aos que controlam o veículo, no caso o governante de plantão, sem descambar para uma subserviência aética. Uma tarefa tão difícil que sou o único profissional, no País, a sobreviverem quatro governos sucessivos.
PING PONG - Como procede a realização dos seus trabalhos nesse veículos?
Rosenwal Ferreira - Na TV Serra Dourada realizo comentários político e econômico com absoluta liberdade. Evidente que não posso criticar investidores e/ou grupo que controla a emissora. São comentários com um minuto e 15 segundos gravados. Atécnica de analisar assuntos múltiplos, mantendo coerência num texto que tenha um certo molho no inicio, meio e fim, permitindo que a mensagem seja entendida, e aceita como válida, por múltiplos segmentos amadores é muito importante, sobretudo com exatos 20 minutos de gravação escolhendo temas que são destaques durante toda uma semana.Já no rádio a forma de apresentar é mais livre. São 15 convidados, democraticamenteescolhidos. Ali, posso utilizar uma linguagem coloquial, tendo optado por ser autêntico e brincalhão, mas sempre debatendo com Já no rádio a forma de apresentar é mais livre. São 15 convidados, democraticamente escolhidos.seriedade (sabiam que isso é possível?) temas diversos. Parece fácil? Vai fazer? A parte ética é muito difícil, pois implica em não cutucar demais os interesses dos proprietários que dependem dos humores de Brasília. É algo louco, que obriga eu, participantes, ouvintes e o internautas a acordar de madrugada. Mas no final, tudo compensa. Nos jornais e revistas, escrevo o que bem entendo e que se lixem os editores. Envio um texto limpo e não aceito tirar uma frase sequer. Rende um problemaço. Mas adoro. Faço história com registro futuro.
PING PONG - Você considera fácil defender direitos tanto da empresa à qual você exerce a profissão de jornalista, quanto daquilo que o público merece saber?
Rosenwal Ferreira - Considero dificílimo. Quando o interesse econômico entra pela porta da frente, os interesses do público entram na descarga. É uma arte complexa cuja resposta honesta daria um livro.
PING PONG - O que você acha dos métodos lícitos versus ilícitos para a obtenção da informação?
Rosenwal Ferreira - Nada que é ilícito vale a pena.
PING PONG - Você acredita que o nosso código de ética ampara profissionais que correm riscos em prol da busca pela informação?
Rosenwal Ferreira - Os profissionais de comunicação no País são joguete dos poderosos. Estamos à mercê das pressões dos políticos corruptos e dos empresários gananciosos. Amparo? Estais brincando. Não existe.
PING PONG - Você estudou e exerceu nos EUA, o jornalismo. Como é a prática deste nas redações? Até que ponto é possível, respeitar a intimidade alheia, afim de não expo-lá a qualquer preço em nome da noticiabilidade?
Rosenwal Ferreira - O gringo não respeita nem a mãe!Lá tornou-se figura pública está no sal. A imprensa vasculha tudo...
PING PONG - Você conhece praticamente os quatro cantos do mundo. Como é a retratação da imprensa quando erra ao divulgar e às vezes centenciar pessoas perante a opinião pública?
Rosenwal Ferreira - É algo extremamente complexo. Cada país tem o seu jeito. Como regra geral, a imprensa é arrogante, destrói e fica por isso mesmo. Em algumas nações a reparação por danos morais inibe práticas do mau jornalismo.
PING PONG - Na sua opinião,onde começa o interesse público e termina o interesse pela vida privada, quando se trata de levar a informação?
Rosenwal Ferreira - No caso particular do nosso imenso, quase que gigante interesse que teima em permanecer deitado eternamente em berço esplendido – regra geral, veja bem – o interesse público começa quando existe dano ao contribuinte. Seja na utilização de verbas dos cofres públicos, seja na ação de agentes que recebem o contra-cheque do Estado para atuar de forma correta e isenta. Detalhe: entrou no rol de figura pública,arca com o bônus e o ônus. Até em casos de pessoas medianas, como eu, o cidadão está sujeito ao envio da mídia. Quem mandou lutar por ser conhecido? Sem essa de afirmar que meus atos dizem respeito apenas a mim. Os anônimos possuem esse direito. Gente que cresce e aparece não! Entenderam?
PING PONG - Qual sua mensagemfinal para os futuros comunicadores de Goiás?
Rosenwal Ferreira - Desejo que todos vocês sejam famosos, ricos, felizes e que venham me substituir com mais eficiência. Tomar meu emprego também vale. É o mundo cruel da imprensa que nunca poupou ninguém. Um vício que a medicina não inventou cura...
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